Espaço destinado aos relatos críticos de andanças pelos botecos belo-horizontinos, assim como aos pitacos sobre outros lugares quaisquer.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Boteco, uma paixão - Parte final

Em uma bela noite no início de 2005, decidimos bebericar uma cerveja no Bar do Antônio, o famoso Pé de Cana. Entre uma gelada e outra, Pablo e eu tivemos a idéia de criar um site. As redes sociais, como o Orkut, atraiam mais gente a cada ano, e nós queríamos divulgar ali o produto da nossa paixão! Mas e o nome do site, qual seria? Butekage, eu sugeri. Assim mesmo, com K!

Convidamos outros amigos e então botamos o site no ar! Não entendo bulhufas de home pages, e a construção da nossa página ficou por conta do Sólon. Meu papel era escrever sobre os bares que visitávamos, sobre Belo Horizonte, sobre a falta de grana do grupo de amigos, sobre qualquer coisa. Nesse período conhecemos bares que existiram por pouco tempo, como o Lampião, na Sagrada Família, o Boteco Santa Tereza, na Rua Pouso Alegre, e acompanhamos o nascimento de alguns outros, como o Espeto do Manoel II, na Nova Floresta. Foi uma época de muitos sonhos, que duraram pouco, haja vista os diferentes objetivos dos seus integrantes.

No ano seguinte eu pensava em me formar na faculdade, e meus pitacos se restringiram ao grupo Comida di Buteco BHZ, então no Orkut. Já no final de 2006, fui chamado para tomar posse em concurso no interior, a 500 quilômetros de BH. Foi uma ótima experiência, que me permitiu refletir a relação que tenho com a nossa capital e seus botecos. Voltando, em 2009, criei este blog, que vou mantendo com muito gosto. Encerro aqui a “parte final” da minha relação com os botecos, que logo se chamará parte IV. Afinal de contas, quem boteca não fica sem estória!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Caçapa's Choperia e Snooker Bar - 29/09/2013

Inaugurado no início de 2013, o Caçapa’s fica na íngreme e movimentada via que dá acesso ao Buritis, e portanto isolado da área comercial do bairro. A falta de estacionamentos na própria rua é suprida, em parte, pelas poucas vagas disponíveis na galeria onde o mesmo funciona. Para ter acesso ao bar, que fica no terraço desta galeria, é possível subir pelas escadas ou através de elevador.

Já na entrada se observa o esmero da casa quanto à decoração, através da bela mesa de sinuca estilizada com lataria e pneus de um jipe Troller.

Escolhendo uma mesa para ancorar, notamos que no Caçapa’s Sul há ambientes para todos os gostos: um interno com televisores transmitindo jogos, outro sem TV e mais iluminado, um amplo varandão, e ainda dois ambientes superiores, que funcionam para celebrações e – creio eu – quando os demais já estão lotados. Em todos eles se faz presente a mesa de sinuca, deixando clara a proposta de ser um verdadeiro “snooker bar”, com cada ficha custando R$ 2,50.




Dentre todos, optamos pela varanda, que além de mais aconchegante oferece uma senhora vista do bairro.


Para beber, a escolha foi uma torre de chopp Kaiser (R$ 39,90), com 2,5 litros. Por mais que o gelo do resfriador tenha sido trocado pelo dedicado garçom Netinho tão logo o chopp chegou à sua metade, é um formato que só me agrada pela economia. Tirado de um recipiente plástico por um amador, como eu, jamais obterá o colarinho cremoso que deve ter. Aos que estiverem dispostos a pagar, há também tulipas de 300 ml, custando R$ 5,90 quando de chopp Kaiser, ou R$ 6,50 quando de Heineken. A casa não oferece a cerveja em seu formato clássico, de 600 ml, mas há long necks da cervejaria Heineken, como Bavária Premium e Gold, partindo de R$ 6,20 cada.


O cardápio de bebidas enumera também alguns criativos sucos, e ainda combos promocionais, como o balde de Red Label com 4 energéticos Burn (R$ 185,00). Outra oferta é a que acontece de terça a quinta-feira, quando a tulipa de chopp sai a R$ 3,99.

Dentre os poucos petiscos listados, escolhemos um contra filé na chapa, e solicitamos que o seu acompanhamento de batatas fritas cedesse lugar à mandioca cozida, pedido aceito pelo garçom. Recebemos, contudo, mandioca frita. A carne, por sua vez, é de boa qualidade, mas em quantidade não muito farta. A porção é acompanhada por dois “molhos especiais” que, em verdade, não passam de maionese e catchup, os quais foram inteiramente dispensados. Um prato que, no fim das contas, poderia ser mais caprichado pelos R$ 33,90 cobrados.


Volto ao quesito ambiente para dizer do banheiro, que é amplo e limpo.


Importante mencionar a existência de comanda individual, aspecto essencial ao que se propõe o Caçapa’s. No domingo seguinte ao da nossa visita teve início o “Samba Vip”, com apresentação de bandas e DJ a partir das 17h.


Notas:

Ambiente: 5
Atendimento: 4
Bebida: 4
Comida (peso 2): 3
Custo-benefício: 3
 
Média final: 3,5 estrelas


Caçapa's Choperia e Snooker Bar
Rua José Rodrigues Pereira, 640 – Buritis – Belo Horizonte
Tel: (31) 3378-3723
Preço médio por pessoa: R$ 65,00*

*Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um, de preço médio, acrescida(s) de duas bebidas e, quando houver, serviço e couvert/entrada. As bebidas podem ser duas cervejas de 600 ml, quatro cervejas de 350 ml, dois drinks, ou duas doses de cachaça, dependendo da especialidade do bar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Circuito Gastronômico da Pampulha: Feijuada - 06/10/2013

É pelo segundo ano seguido que nos desapontamos com o Circuito Gastronômico da Pampulha, evento este cuja temática tanto admiramos. Desta vez, porém, o problema não se restringiu à execução do prato, como no ano passado. Por mais que a experiência abaixo relatada tenha sido das mais frustrantes, somos insistentes, e tendo em mente o delicioso cordeiro oferecido pelo Parrillero na primeira edição do festival, em 2010, visitaremos pelo menos outro restaurante neste ano.

Em meio à frente fria que estacionou em BH desde setembro, um domingo de sol se mostrava muito convidativo para o almoço em família. Para estrear no Circuito da Pampulha, meus pais já haviam sugerido o FeiJUada, que concordei ao me lembrar da agradável galeria onde o mesmo funciona. Chegando lá, observamos que as quadras de tênis ao lado da galeria cederam lugar a um estacionamento improvisado, e nos utilizamos do mesmo de bom grado. As boas impressões, contudo, se encerram por aí.

Ambiente proibido aos clientes do Circuito Gastronômico da Pampulha

Subindo para o restaurante, um funcionário pergunta se estávamos ali para o circuito. Acenei positivamente, e ele nos indicou uma área mais abaixo, para onde eram direcionados todos os clientes do evento. Isto mesmo, caro leitor, um descarado apartheid. Ocorre que esta área inferior, ao contrário da outra, estava tomada, só restando duas mesas onde o sol incidia fortemente. Solicitei a presença da proprietária, que nos conseguiu uma mesa no restaurante vizinho, no caso o Bistrô Vila Rica, e a partir de então imaginamos que estaria tudo resolvido.

Outros itens que não o prato do circuito, como as bebidas, deveriam ser escolhidos a partir do cardápio do Bistrô, conforme nos orientou o garçom, de forma que sequer tivemos a chance de conhecer o carta do FeiJUada. Estávamos participando do evento, mas não inteiramente, se é que me entendem, e assim nos deparamos com cerveja long neck da AMBEV a R$ 9,90, vinhos partindo de R$ 54,00 a garrafa, e bebidas não alcoólicas, como refrigerante, suco e a água, a R$ 6,50. Optei por uma caipirinha, bem feita, a R$ 12,50, e no mesmo momento pedimos também os pratos.

Transcorrido o absurdo prazo de uma hora, chegaram à mesa quatro porções individuais, que mostraram apuro na apresentação. No quesito sabor, contudo, derraparam feio, a começar pela horripilante, tenebrosa e desrespeitosa batata palha. Chegamos a ter saudades da duvidosa batata palha da Elma Chips, que certamente atenuaria um pouco a baixa qualidade notada inclusive no item principal. Mal temperado e mal encorpado, o cassoulet foi servido em temperatura inadequada, por maior que tenha sido o tempo de aguardo. Não custa lembrar que o prato custa R$ 54,00, valor que exige deste uma qualidade no mínimo razoável.


Ao final fomos questionados pelo garçom do Bistrô Vila Rica sobre a nossa satisfação, e a partir da resposta negativa, o mesmo pediu ao dono do Feijuada que fosse à nossa mesa. Este, muito simpático e cortês, explicou a história da casa, a concepção do prato, mas foi incapaz de nos retirar o gosto ruim da decepção. Pagamos a conta, de quase duzentos reais, com a nítida sensação de termos sido lesados.


Feijuada
Av. Fleming, 880 - Ouro Preto - Belo Horizonte - MG
Tel: (31)3427-1597
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

815 Botequim - 27/09/2013

É interessante notar como a cidade vem se expandindo, gastronomicamente falando, para além dos seus eixos principais, quais sejam Lourdes e Savassi. Enquanto a Rua Pium-í, a Av. Fleming e as Seis Pistas – já em Nova Lima – reproduziam muito do que é visto nestes, bairros charmosos e tradicionais ao redor do Centro, como Santa Tereza, Prado, Santo Antônio e Serra, abrigavam botequins descolados e gastrobares. Isso sem dizer da renovação do Maletta, que joga luz no Centro da cidade, infelizmente ainda muito esquecido pelo empresariado e pelo poder público.

Ocorre que as boas novas gastronômicas não estão restritas ao Centro-Sul e seu entorno. Corredores mais distantes do Centro, que antes eram ocupados exclusivamente por trailers, botecos, pizzarias e bares com churrasqueira, agora recebem botequins de cozinha mais fecunda e sofisticada. É o caso da Avenida Guarapari, na Pampulha, do entorno da PUC, no Coração Eucarístico, e agora também da Av. Contagem, no bairro Santa Inês, que há duas semanas recebeu o seu primeiro gastrobar.

Funcionando em pequena loja, o bar dispõe a totalidade de suas mesas no passeio, e comporta não mais do que 25 pessoas sob o toldo. Para noites de vento frio, como a da nossa visita, extensões laterais deste toldo seriam ótima solução. O interior do bar, que é igualmente simples, abriga cozinha e balcão, além dos pequenos toaletes ao fundo.


Para beber, o 815 Botequim oferece cinco variedades de cerveja, todas em 600 ml. Skol e Brahma custam R$ 6,00, enquanto Brahma Extra, Budweiser e Original valem R$ 7,00, esta última geladinha. Falando de sua cozinha, que é o destaque do bar, alguém aí já ouviu falar em poutine? Pois é este sedutor petisco, que me fez delirar com batatas fritas como poucas vezes em minha vida, o carro chefe da casa. De origem canadense, é oferecido em quatro versões: Mexicano, Vegetariano, Bacon e Smoked Poutine. Embarcamos neste último, cujas fatias grossas de batata frita são cobertas por pernil de porco defumado, molho demi-glace, cebola caramelizada e queijo canastra. Uma verdadeira delícia, que ao preço camarada de R$ 19,90 fica ainda melhor!

 

Mais tarde experimentaríamos também a moela à moda do chef (R$ 11,90) que, por não ser uma exclusividade da casa, foge do padrão da poutine.
 

 Salivamos pelo frango frito crocante, oferecido em três tamanhos diferentes, e pela costelinha assada ao molho barbecue (R$ 37,90), onde o cliente pode escolher entre três versões do molho: banana barbecue, goiaba barbecue ou barbecue tradicional. Confiante na qualidade de suas criações, o dono afirmou que sequer as famosas costeletas do Outback batem na sua receita. Mau por não termos tido o suficiente apetite para prová-las, bom pela grande expectativa para a segunda visita. 


Notas: 

Ambiente: 3
Atendimento: 4
Bebida: 3
Comida  (peso 2):3
Custo-benefício: 4

Média final: 3,5 estrelas


815 Botequim
Av. Contagem, 815 - Santa Inês – Belo Horizonte – MG
Tel: (31) 9587-9592 / (31) 9259-0204
Pagamento: cartão de crédito ou débito 
Preço médio por pessoa: R$ 40,00 

*Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um, de preço médio, acrescida(s) de duas bebidas, serviço e couvert/entrada, quando houver. As bebidas podem ser duas cervejas de 600 ml, quatro cervejas de 350 ml, dois drinks, ou duas doses de cachaça, dependendo da especialidade do bar.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Porteño Central - 27/09/2013

E não é que agora podemos almoçar comida argentina, a preço razoável, diariamente? Falo do recém-inaugurado Porteño Central, que funciona na Rua Guajajaras, de frente a uma das portas do Minascentro.


Logo ao chegar, uma folha junto à vidraça do “Resto-Bar” avisa quais as opções do Menu Mediodia. Revelado também pelo Facebook da casa, o menu é modificado semanalmente.


De instalações pequenas, porém aconchegantes, o Porteño Central estampa em suas paredes quadros e flâmulas que fazem menção ao país dos donos.


Na semana quando lá estivemos, eram duas as opções, ambas a R$ 18,00: cação a la panela, que foi a minha escolha, e frango assado ao forno, optada pela Vivian. Há também refeições, como o guisado de lentilha com carnes, indisponível naquele dia, e o bife de chorizo (R$ 35,00), cuja fartura foi notada na mesa vizinha, onde duas comensais dividiam um prato.
Pensamos em pedir empanadas como entrada (R$ 5,00 cada), disponíveis na estufa sobre o balcão, mas fizemos bem em preteri-las, haja vista o bom tamanho de nossas refeições.


Acompanhado de arroz branco temperado com alho, que não sei dizer se existe na Argentina, o cozido de cação com legumes leva especiarias como a páprica, e é delicioso. Caso você goste de comidas ligeiramente apimentadas, apreciará ainda mais!


O frango assado ao forno, por sua vez, vai à mesa guarnecido por batatas fritas e pelo mesmo arroz branco. Aparentemente não marinado e com o tempero mais suave, o frango também agradou, apesar dos acompanhamentos triviais.


Para a sobremesa escolhemos o alfajor caseiro (R$ 5,00), mas há também flan (R$ 7,00) e torta do dia (R$ 6,50), cujo recheio de goiabada dá a impressão de um abrasileiramento.


O atendimento é feito por um dos donos, que tem todo o cuidado em explicar cada item oferecido. Costumo não retornar a estabelecimentos que cobram gorjeta em almoços executivos sem bebidas, porém pretendo abrir ao menos uma exceção, a fim de experimentar o bife de chorizo da casa.

Porteño Central
Rua Guajajaras, 1021 – Centro – Belo Horizonte – MG
Tel: (31) 3273-0658
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